A partir do dia 3 de setembro, entra em vigor a suspensão das exportações de produtos de origem animal do Brasil para a União Europeia (UE). A medida afeta diretamente as vendas de carne bovina, carne de frango e mel.
A decisão do bloco europeu ocorre após a atualização da lista de países autorizados. Essa mudança tem como base o cumprimento das diretrizes de controle de substâncias antimicrobianas na pecuária.
Segundo as autoridades europeias, a restrição não decorre de contaminações detectadas nos lotes exportados. O motivo é a necessidade de adequação nas metodologias de fiscalização e monitoramento do uso dessas substâncias na cadeia produtiva.
Ciclo de produção e prazos de adequação da Carne Bovina
De acordo com a Câmara Setorial da Carne Bovina, a adequação aos novos padrões sanitários exige um período de transição atrelado ao ciclo biológico do animal.
Como a rastreabilidade completa exige a comprovação do não uso de antimicrobianos ao longo de toda a vida do bovino, estima-se um prazo de cerca de 24 meses para que os primeiros rebanhos criados sob o novo protocolo estejam prontos para o abate.
Impactos nos Setores de Frango e Mel
- Carne de Frango: Por ter um ciclo produtivo mais curto (aproximadamente 45 dias), o setor avícola tem uma perspectiva de adequação mais rápida. Uma missão técnica da UE inspecionará granjas, frigoríficos e fábricas de ração no final de agosto. Contudo, os relatórios de validação devem ser analisados pelo comitê técnico europeu (SCoPAFF) em novembro.
- Mel: O setor apícola trabalha para garantir a ausência de contaminação cruzada proveniente de propriedades vizinhas dedicadas à pecuária. Como a produção nacional de mel voltada à exportação é majoritariamente orgânica, os produtores buscam reforçar as certificações de origem.
Enquanto os novos protocolos sanitários são implementados e avaliados pelas auditorias, o setor produtivo nacional atua no redirecionamento dos lotes para o mercado interno e para outros países parceiros comerciais.
Fonte: g1.globo.com
